29/6/09
O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor…
Eu escrevo cartas para mim mesma. Não de enviar pelo correio e tal, ora por favor. Eu vivo sendo atropelada por fuscas, coleciono bíblias, falo sozinha, surto sem motivo, mas não envio cartas pelo correio. Eu escrevo e guardo. É que as vezes sinto-me ausente, as vezes eu esqueço de mim e escrevo para lembrar. Desde pequena, pequenininha, tenho muita responsabilidade. Eu tenho um milhão de coisas para fazer enquanto gritam no meu ouvido e jogam as próprias responsabilidades sobre meu colo. Se quer saber, consigo vislumbrar a dor megalomaníaca de um ser perdido em sua Neverland. Consigo admirar a cor do passional dentro da explosão negra da tragédia. Tenho essa mania idiota de pegar a dor do outro e fazer minha. Eu tive tanto que pensar nos outros que surtei e tive crise de infantilidade encima de crise de infantilidade, justamente na hora que não devia. Daí empurrei com o dedão do pé as decisões importantes da minha vida e que influenciavam de forma egoísta a vida de outras pessoas, porque eu estava fraca demais para reagir e eu nunca soube o que era estar fraca. Nunca soube o que é sentir-me traída e sem saída. Não sei admitir que preciso de ajuda. Nunca me permiti ser fraca até que abri falência sobre a minha carcaça e assumi que tinha sido demais. Aí eu fui aturando, aturando, aturando, porque como diz Orson Scott Card: “Afeição pessoal é um luxo que você só pode ter depois que todos os seus inimigos forem eliminados. Até então, todos que você ama são reféns, enfraquecendo sua coragem e corrompendo sua opinião”. Ah e foda-se os chatos intelectuais que criticam o crepúsculo, eu chupei essa frase do prefácio do quarto livro da Meyers, só não sei se a tradução está correta porque li Breaking Dawn, mas não li o Império.
O que eu descobri é que o que não te mata te faz mais forte. O clichê mais verdadeiro que existe. Descobri também que quem tem amigos tem tudo. E eu tenho os melhores amigos do mundo. Eu digo amigos de verdade, não amigos de balada. Até porque, eu sofro de velhice precoce.
Sabe, não vou mentir que hoje, em específico, rezei. Porque eu converso com Deus todos os dias. Não. Não vou lá e falo meia dúzia de estrofes decoradas diante de uma cruz quando a água bate na bunda. Nem corro procurar uma residência eclesiástica, entupida de imagens e santo de pedra ou um local de povo faminto que saracoteia celebrando a própria desgraça enquanto o pastor estende a mão. Nesse quesito, ninguém consegue matar minha verdade. Não preciso da técnica, tenho a resposta em meu coração. Mas ainda que eu não soubesse que sou iluminada, hoje comecei a sentir uma mão divina em meio a minha determinação e a uma dor imensa. Porque crescer e tomar decisões é doloroso. Realizar o que é necessário ao invés do que se quer é muito sem graça. Fica mais interessante quando a gente vê o filme já sabendo do final feliz. Só que eu nunca fui assim, então não seria agora, calejada que iria mudar. Bora sair com dignidade pela janela, que o destino final da porta não me interessa. Expurguei até o último grau do meu Karma. Tenho certeza disso. O difícil torna-se acentuado, porque tenho escolha, o caminho mais fácil é o que está embaixo do meu nariz, mas decidi não segui-lo, decidi tentar porque sou responsável por outros futuros e se não soubesse ser forte por mim, jamais me permitiria trair a confiança de outrem.
Sou fiel as minhas palavras e ao que chamo caráter.
Hoje eu escrevi mais umas cartas e li outras. As que eu escrevi são tão incertas quanto tudo neste mundo, sustentam-se apenas pela minha certeza cética e desvairada que o planeta inclina-se para dar vazão a enchente. Umas cartas eu li automaticamente, frases soltas e imagens aleatórias, empoeiradas, de quando me sentia ausente, pensando que um dia as utilizaria em meu futuro presente. Cartas que pensei ter escrito com dor, quem sabe na época pensasse ser ódio,frustração ou vazio. Hoje me trazem a certeza, que foram escritas somente com amor. Iguais as de hoje. Espero que assim seja o amanhã.
criado por Teresa Almeida
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