***Inércia Decisória***

Seja quente ou seja frio, mas não seja morno que eu te vomito!

21/10/08

Significa?

 

 

 

 

 

As gotas vão continuar caindo. E nunca param. Quando a chuva chega elas se intensificam e deixam de ser invisíveis. Escorrem e derramam-se aos borbotões, ainda sim não transbordam o solo raso.  O radiante esplendor da luminosidade não se apaga, ganha significado. Uma gota versus o raio. É pura gentileza. E toda a gentileza não preenche o solo raso. Mas sua gentileza preenche sim o mundo raso.

 

 

criado por Teresa Almeida    16:41:15 — Arquivado em: Sem categoria

17/10/08

*Faveladinha de Luxo*

 

 

          A Vogue americana fez um ensaio mostrando que o luxo não deixa apenas os ricos elegantes, deixa os pobres, miseráveis (de baixa qualidade de vida MESMO) elegantes também. Tem foto com mulher idosa de enorme sorriso desdentado, segurando um bebê que usa um babador Fendi de 100 dólares. Com esse dinheiro mais do que limpar a caca da boca da criança, ela conseguiria arrumar um pouco a própria boca. Tem mais algumas pérolas piores ou melhores, mistura de muitos milhares de dólares e cenário de fundo escandalosamente precário na Índia, mas o que pega é o mau gosto que foi empregado. Não colou, lógico. E ainda pairou no ar um clichê, o de que pimenta nos olhos dos outros é refresco. O “Diabo que veste Prada” da atualidade não entendeu o motivo das peruas, os novos ricos, o clubinho endinheirado e o “resto”, não terem gostado do ensaio. É que faltou lhe contar que a desgraça e a miséria alheia pode parecer muito engraçado como piada interna no semifechado círculo da alta sociedade, mas escancarar a verdade assim nas páginas de uma revista de grande divulgação, é muito, mas muito deselegante.

          Ainda na Índia, foi apresentado em janeiro no Salão do Automóvel de Nova Délhi, um modelo de carro que revolucionaria o mercado. O Nano, da Tata Motors, veio ao mundo do consumo com a promessa de se tornar a alternativa mais acessível para os populares, e de transformar o responsável pela sua criação, o empresário Ratan tata, em uma lenda (que nome sonoro né? Ratan Tata, Ratan Tata, cuidado criança que o Ratan tata vai te pegar…O rato roeu a roupa do Ratan Tata…). Pelo preço de 2.300 dólares daria para passear pelas ruas com um modelo bonito, novo e barato. O carro deveria ter sido lançado mês passado. Acusações envolvendo o recebimento de subsídios para o aluguel do terreno da fábrica, somado a agricultores bloqueando a estrada que leva ao local reclamando do dinheiro que receberam da empresa, fizeram com que o lançamento fosse adiado por tempo indefinido. Descobriu-se ainda que os custos da matéria prima passou de 13 % para 23 % do valor total do carro. Ninguém tinha pensado nessa hipótese quando apresentou o modelo, o que fez com que a venda pelo baixo valor anunciado tornar-se uma transação inviável. Não se sabe se o Ratan Tata vai assumir o prejuízo, ou se a alegria de pobre durou pouco tempo.

É, não está fácil, nem acessível,  ficar elegante com pouco dinheiro.

*Praga da Vogue*

 

criado por Teresa Almeida    13:25:58 — Arquivado em: Sem categoria

16/10/08

Manda um Big Mac,aqui na cordinha, seu políça!

         

          Nem sei se a menina de quinze anos, lá de Santo André,  está sequestrada ainda. Deve estar, com comidinha chegando, um monte de porcaria no apartamento pra comer (segundo o sequestrador), um celular pra ficar batendo papo e a ex para ficar atormentando, que mais o doido podia pedir a Deus?

 

          O rapaz deu uma entrevista a televisão, coisa chique, disse que só queria conversar e ela lhe deu as costas, então ele resolveu tomar uma atitude. E tem mulher que ainda reclama do homem que não quer discutir a relação. Disse na entrevista que só não libertava a menina porque faltava confiança. "Confiança em quem?" pergunta-lhe a repórter, "Em mim." responde. Bom, o cara não tinha dinheiro, estava abalado emocionalmente, dodói da cuca  e deu um jeito de conseguir os melhores psiquiatras na faixa. Disse que ela era uma egoísta e só pensava nela. Com um cara que te sequestra e expõe tua vida na televisão, ela vai pensar mesmo muito em outra pessoa daqui para frente.

 

           Está todo mundo chocado, segurando os tercinhos entre os dedos, se perguntando como pode um homem de 22 anos manter a menina, que namorava ha dois  anos e meio, refém. Eu me pergunto:  MAS COMO É QUE UM PAI DEIXOU UMA MENINA DE 12 ANOS NAMORAR COM UM CARA DE 19? Ninguém achou mesmo que em algum momento ia dar (com o perdão da palavra) merda?  Uma gravidez precoce, um estupro  ou qualquer outra coisa mais leve que um sequestro a mão armada?

 

          Se o rapaz a liberar, já sabemos que o primeiro lugar que ela estará é no programa da Luciana Gimenez, repassando passo a passo os seus dias em cárcere privado. Enquanto seu pai, ou a mãe, ou a tia, ou a amiga de aparelho nos dentes se debulham em lágrimas imaginando como aquilo aconteceu…

 

 

criado por Teresa Almeida    14:14:19 — Arquivado em: Sem categoria

Peixe Pequeno

 

 

Você xinga, você se retorce, você provoca e se indigna quando alguém não lhe dá a reação esperada de volta. Não entende quando não querem explicar o que com todo seu ser você grita e urge na esperança do revide. Algumas pessoas não precisam explanar o que sabem que realmente são. Outras não precisam da necessidade de se fazer entender, porque somente a elas devem explicação. Preferir renunciar ao rancor, aos falsos casos emaranhados é sábio e confortante.Não grite nos ouvidos desconhecidos, ninguém é surdo e sendo não ouviriam de todo o jeito. Deixar pra lá, viver algo superior, algo com mais sentido do que situações mal resolvidas, que não valem o tempo perdido nem o esforço cedido. Deixar passar pra não ficar amargo, lutar por si ao invés de viver armado. Deixe, ai, por favor, deixe que falem sobre o que quiserem comentar. Há uma necessidade enorme em falar, em querer explicar, em mostrar ao redor o porquê dos erros, o porquê das renúncias, o porquê dos abandonos. Como uma novela. Cômoda, cheia de atrativos, cheia de egoísmo, falsos infortúnios e com tão pouca intensidade. Ouvir e falar,dissipar a urgência, entender a raiva, a frustração, o desespero é essencial, é voltar ao sossego do silêncio.Repassar, reviver a mesma história fase após fase, é martírio. Só vale a pena (e geralmente não o vale) se protagonista, sendo coadjuvante beira o ridículo.Ódio só sentimos por quem está acima de nós, quando somos o peixe pequeno esperando a conclusão da história do outro. História que se findará ou não de qualquer forma, independente das mutilações alheias. Que desperdício de anseio em ser os heróis de estórias fantásticas, estórias que só existem na rodinha de amigos, quando heroísmo soa melhor sem o descaso com o mundo real que está repleto disso, basta querer enxergar, basta querer entender, não apenas aplaudir quando todos apontam a direção da bela ação, sem tentativas frustradas de tentar encontrar a aprovação.Como um zero, que se entende como nulo, mas não o é. Complexo, é a origem e segmento. O primeiro, ainda que não o reconheçam como tal,  enquanto ao mesmo tempo observa por último. Melhor assim, não estende a sua intimidade.

 

 

criado por Teresa Almeida    13:06:06 — Arquivado em: Sem categoria

10/10/08

Lua de Fel

Preciso de você mais do que preciso de ar.

É sem dúvida clichê,

mas você me roubou as belas palavras,

roubou-me a originalidade,

roubou-me todo o amor, e agora só há você!

 

 

Apaga da memória,

as farras descabidas, as noites mal dormidas

e as ações desmedidas.

 

 

O dia de hoje já foi muito pesado.

Tua presença é o recado,

pro meu corpo, que está tudo bem.

 

 

Fecho os olhos e seguro sua mão,

a lua lá fora brilha ainda mais.

Seu fogo aquieta meu demônio.

E eu  espero acordada

para trocarmos um pouquinho de paz.

 

 

Sou tão especial, tão única, exclusiva, tão sua!

E eu adoro essas suas mentiras!

 

 

 

 

 

criado por Teresa Almeida    17:15:59 — Arquivado em: Sem categoria

9/10/08

Retrô

 

 

 

 

 

Quanto mais procuro olhar para o chão que vou pisando, percebo que é em direção das estrelas que meus olhos se encaminham. Enquanto vou percebendo a movimentação estranha ao meu redor, a busca pela atenção e pelas luzes, vou reparando que o brilho duradouro paira sobre aqueles que não correm contra o tempo, aliam-se a ele. Sobre os mesmos que não tentam aproveitar-se das estrelas para reluzirem controvérsas verdades, carregam consigo estrelas maiores que a humana sanidade. Caminhos cheios de pedregulhos levam a um feliz destino, enquanto os que caminham lamentando os impercalços, não entendem o porquê de um espinho. A lágrima traz consigo alguma dor, mas lava também a face, preparando-a para o sorriso que a iluminará com sentido. Um tolo ri para tudo,  é feliz porque vive de festas, mas chora desconhecendo o motivo de não conseguir banhar-se em uma vida concreta. Não desejo menos que felicidade, mas pés que não te levem tão longe de ti, porque desejar que viva apenas de sonhos seria de minha parte maldade.  Abrace, ame, sucumba, goteje, dance, corra, beba, engula, espatife-se, parta-se, despedace-se e consigas te recompor. Mantenha uma parte ilesa, presa a realidade. Voe para perto ou voe para longe, mas não voe pro abismo. De um jeito ou de outro tudo segue. Até para viver de mentiras, não é só mentindo que se consegue. A luz que eu conquistei, é minha, não vou, não quero, de forma alguma vou repartir. Eu nunca disse a ninguém que não era egoísta. O fruto é inteiro da minha capacidade. A luz que queimou foi a que eu comprei. Paguei barato, em uma loja de 1,99.Mas, nem ligo, a troco quantas vezes necessário for, nunca me faltou motrocidade.

 

 

 

Eu nunca espero nada, sou só um espelho. O que bate, volta. O que infiltra-se, pemanece. Não tenho nenhum porque que se esvai, gosto das minhas frestas, da minha superfície partida. Eu gosto do retrô. Eu gosto das bolhas de sabão. O que você sabe, são os pedacinhos que eu deixei espalhado. Não finjo, nem me mutilo. Eu choro e com orgulho. Eu vivo e não me permito esconder o que temo que descubram. Não estou muito interessada em aprovação.  O que tenho, é completamente meu, não guardo prêmios de consolação.

 

 

 

Correndo, correndo, correndo.

 

 

 

 

 

criado por Teresa Almeida    17:01:00 — Arquivado em: Sem categoria

7/10/08

Pai, toda ignorância será recompensada?

          Ouvi mês passado uma frase que me comoveu. Determinada pessoa com confortável situação financeira, sem filhos e sem algo que se possa chamar de vida produtiva, pisando exclusivamente nas sombras do marido, disse que se tivesse um filho como “tal e tal” de fulana, o daria ou pagaria para alguém criar bem longe. Não a ouvi falando, isso me foi repassado. Não pensei nada, nem julguei o comentário, na hora fiquei estupefada com a coragem da que falou, porque até para se afirmar como ignorante ou estúpido alguma coragem é necessária. Agradeci em silêncio pela natureza não ter colocado vida alguma em suas mãos, e lamentei pelos muitos que são obrigados a conviver com gente desse tipo, progenitores ou não. Hoje cai bem ao meu pensamento do dia.

          Uma criança quando vem ao mundo já vem carregada com a sina dos direitos e deveres. Tem implícito o dever de ter os olhos do pai, o nariz da mãe, a boca do avô que já está morto a uma década. Tem de ser bonito, mas se não for, enquanto neném todos falarão que é muito fofo, que tem saúde, depois que cresce tem por dever ser o fardo dos pais. Tem que se adequar às regras, falar na hora certa, andar na hora certa, dizer que ama o papai e a mamãe, aceitar os beijos, abraços e frases bestiais de pessoas aleatórias, ainda que não queira, senão, por obrigação, tem alguma síndrome, senão, por obrigação, não se adequa a sociedade. Um pequeno ser não é amado simplesmente por existir, simplesmente por vir ao mundo. É a duras penas que se crava um caminho quando se difere em algo. Depois de reconhecido o talento em uma área específica, quando vira um Mozart, um Einstein, uma Virginia Woolf, uma Clarice Lispector, aí tudo bem, ta explicado, era um gênio. No sonho médio, no senso comum, na vida mais ou menos, não se permite nuances diferentes, não sem preconceito e esculacho. A mediocridade ama apontar alguém julgado mais medíocre.
Elevando ao mérito de mártir, os que lutam por trás de pequenos com pequenas diferenças. Como se necessário fosse, pra quem luta por qualquer bandeira pessoal, usando o caráter como motivo, alguma celebração, além do próprio ato de amor. E caso necessite não o fez por sentimento algum, talvez por cobiça, coisa que geralmente não é agradável.

          Todo o cidadão tem seus direitos e deveres. Toda criança e adolescente tem seus direitos e deveres. Todo pai ou mãe tem seus direitos e deveres. Todo trabalhador tem seus direitos e deveres. Todo governante tem seus direitos e deveres. Não há nada mais difícil de controlar, mais perigoso de conduzir, ou mais incerto no seu sucesso, do que liderar a introdução de uma nova ordem, disse Maquiavel, lá por 1500. O novo desorienta, amedronta, acovarda. Criar rupturas nas regras, isso sim, é uma possibilidade bem aceitável, ninguém liga de ver. Nelson Mandela foi uma figura notável, das mais reverenciáveis do século XX, líder tolerante na transição de uma nação marcada pela apartheid. Deixou um dever ao seu sucessor, Mbeki,que nada mais foi que um paranóico que impediu a entrega de medicamentos ao seu povo doente com Aids. Quem assume agora? Um presidente com dezesseis processos por corrupção e uma absolvição por  estupro assumido. A Finlândia é o país com melhor sistema educacional do mundo, que possui excelentes programas psicológicos para seus estudantes.O país cumpriu um dever, mas em menos de um ano, dois alunos abusaram dos seus direitos e assassinaram em massa vários colegas em suas escolas.

           O nosso talentoso diretor Fernando Meirelles, dirigiu um filme, o “Ensaio sobre a cegueira”, fiel a obra de seu criador, o escritor José Saramago, coisa que o escritor não permite a qualquer um, o direito de transformar seus livros em adaptações no cinema. Pois bem, agora nos Estados Unidos o filme sofre um boicote, pois acreditam que ao retratar os cegos de uma certa forma dita depravada, as taxas de desemprego entre os cegos, que já é de 70 %, vão aumentar ainda mais. Há alguns deveres e direitos que realmente estão sendo despeitados, mas do jeito que anda a economia por lá, seria mesmo o filme o culpado se isso viesse a ocorrer? Hugo Chávez vem fazendo o que bem quer no seu país, apoiado em seus direitos e deveres, e tem pateta que ainda o defenda. Rafael Correa expulsa a Odebrecht do Equador, seqüestra os bens da construtora e ameaça dar calote de 240 milhões no BNDES. Entra uma e outra coisa, o Brasil paga por ser um país em crescimento e aberto para o mundo.

          Seja grande ou pequeno, o não cumprimento do direito e do dever gera uma ameaça. Mas isso é indiscutivelmente aceitável, o novo é que não é. Desde o pequeno ou grande indivíduo e personalidade, a falta de valores implica na coragem citada no começo do texto: coragem de se afirmar ignorante e estúpido. Sei que falo muito sobre o vazio que algumas pessoas possuem, mas é que eu gostaria mesmo que isso despertasse o mesmo sentimento em outrem, a mesma afronta e asco que me causam. Já que pessoas não mudam, apenas fingem se adequar, quem sabe se sentissem vergonha dos pensamentos medíocres que carregam, conseguissem guardar os mesmos para si, ao invés de disseminar por aí. Entre o pequeno e o grande delito, é que o passional passa a ser homicídio. É onde o direito se desvincula do dever, e alguns param de cuidar de suas miseráveis vidas para transformar outras vidas em miseráveis. E aí Pai, toda a ignorância será recompensada?

criado por Teresa Almeida    16:07:16 — Arquivado em: Sem categoria

3/10/08

Fast Food

        Essa semana li um texto publicado em outro blog. Entre um e outro assunto, o enfoque era basicamente a mídia. Como está a formação da cabeça dos que a utilizam hoje, como a própria está, os assuntos bizarros e as fofocas que fazem vender revistas. Curiosamente, o mocinho é justamente da televisão aberta. Bom, já faz um tempo que eu queria mesmo falar sobre isso e aproveitei para dissertar a respeito. Aos meus olhos os veículos de comunicação em geral, vão muito bem obrigado. E a formação feita a partir do que se absorve depende justamente disso, da formação de cada um. Nada sai barato hoje em dia, cultura não é exceção, mas tem como encontrar alternativas acessíveis dependendo do grau de interesse. Há uma diversificação grande de assuntos, matérias, revistas, jornais, programas, canais, estações, portais e livros que se opte para fazer a mente.
         Pelo valor da revista de fofoca, você pode levar uma de política, de história, de arte ou de conhecimentos gerais. Eu não assisto televisão aberta, exceto pelos jornais e por um programa que eu adoro nas segundas a noite. Fora isso raramente perco meu tempo nos canais populares. Muito porque não o possuo de sobra mesmo. Mas sei que nem todo mundo tem acesso aos canais pagos, nem todos preferem ler um livro, assistir um filme ou um documentário, ao invés de se perder nos emaranhados nosenses das novelas. E não é nem porque não gosto que não assisto, se começar vou até querer acompanhar, mas acho que faz mal essas porcarias sem igual. Essa novela nova das oito, ao meu ver começou tão bem. Acabei não conseguindo ter tempo para acompanhar, no começo queria,mas quando fui ver já tinha virado um terrorismo sem limite. A presidiária virou uma absurda bruxa má, misturada com um Bin laden de caixinhos, cheio de planos mirabolantes. Não, desculpa aí, não tem condições de assistir, mas respeito e acompanho a sinopse pelo jornal, só porque sou curiosa e não tenho vergonha na cara. Escrevi há uns anos atrás, para um trabalho de filosofia da faculdade de direito, que eu comecei mas não terminei, sobre a televisão. Eu concordo com o que escrevi na época: estamos todos tão cansados, trabalhando, acordando cedo, recebendo ordens, que no tempo livre não queremos tecer nossas próprias opiniões, nem trabalhar no processo de criação delas. Queremos engolir o que já vem mastigado, da forma que melhor facilite isso. Então, não é que o sensacionalismo precise de nós para sobreviver, nós é que precisamos dele para não desmontarmos vazios.
         Lá fora o interesse está voltado em devorar tudo que sai a respeito do versátil Obama, da mulher “super poderosa” dele, da boca aberta da Palin, do McCain e de sua Barbie. Os gringos param, não pra discutir ou observar a política e sim assistir o show envolvendo a vida pessoal deles. E isso mostra que o problema não é somente a educação, mas que ela interfere, interfere claro. A gente vai atrás, quer saber como foi o casamento da fulana, qual o último vexame da cantora junkie do outro país, lê uma revista ou outra e se sente atualizado, a noite põe no programa da apresentadora limitada para dar umas risadas, não corre atrás para acrescentar algo a mais, enquanto nada está nada tão longe que nossas mãos não possam tocar, nossos ouvidos não possam ouvir e os olhos ler. E ninguém escapa, eu me policio, porque ao invés de produzir perco bem mais tempo doque deveria assistindo ou lendo informação descartável. Aí eu paro e penso que já distraí meu cérebro o suficiente, já dei o fast food que ele necessitava para ficar feliz em voltar a vida saudável.
          Enfim, creio que a mídia está aí cumprindo o papel dela, levando toda e qualquer tipo de material que o seu público alvo queira receber, acho que ela não forma assim tanta opinião por causa da sua superficialidade e também não concordo que as cabeças estejam tão vazias ultimamente, a ponto de se conformarem somente com que se avista em uma banca de jornal ou nos intervalos das grandes redes. A educação é um ponto comum, tudo bem, quem não a possui não tem necessidade dela, quando não mata-se a fome do saber de um ser, logo ele não precisa mais disso para viver. Mas para muitos falta vontade e interesse também, quem sabe tempo para investir em si mesmos ao invés de procurar um bode expiatório para colocar a culpa pelo lixo que se engole.

criado por Teresa Almeida    03:06:54 — Arquivado em: Sem categoria

1/10/08

O lobo mau no divã

          Pessoas com aquela voz muito baixa, muito sossegada, aquela calma controlada perto de todos e em qualquer situação, me dão nos nervos. Eu imagino se não vão para casa e se explodem como panelas de pressão. Aqueles seres bem maduros, assim, que em hipótese alguma estão errados, que tentam mostrarem-se experientes, como se sabedoria e experiência precisasse ser demonstrada e viesse através de um manto de seriedade e inquebrável placidez. Uns tipos que chegam com aquela cara de quem está sentindo um mau cheiro e falam: “Ah, você é tão diferente”, “Ah, você precisa ter modos” “Ah, sua louquinha”. Dá a maior vontade de dizer: E você?Que cara é essa de quem ta querendo dar a bundinha? De perto ninguém é normal. Alguns indivíduos são mais atípicos que os outros, mas todo mundo tem seu próprio universo as avessas particular. Agora veio a hora dos personagens dos contos de fadas irem fazer sua consulta de psicanálise.

          Uma escritora inglesa, a Laura James, acabou de lançar um livro em que ela diagnostica inúmeras neuroses, psicoses e diversos outros distúrbios nas figuras que povoam os livros infantis, o nosso imaginário e o das nossas crianças que ainda ouvem as mesmas histórias pra dormir. Não é um livro infantil, chama-se o lobo mau no divã e humaniza as princesas, heróis e vilões de forma bem crua usando o histórico familiar, referências no passado, dietas alimentares entre outros. Ela não é a primeira a fazer isso, eu li no jornal outra escritora que tinha lançado algo parecido há uns cinco anos, mas de qualquer forma o livro é bem interessante e divertido. O Ursinho Pooh sofre de de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), do tipo predominantemente desatento, sua incapacidade de refletir causam problemas em sua vida diária. A Cinderela tem necessidade de aprovação social. Concordou em se casar com o primeiro que prestou alguma atenção nela, não se incomodou em mudar completamente, fingindo-se de outra pessoa para agradar este homem. Talvez tenha confundido o desejo de ser salva de uma vida familiar insatisfatória com amor a primeira vista. Se Sininho tivesse feito alguma sessão de psicoterapia teria resolvido seu problema de personalidade anti-social. Peter Pan é um narcisista patológico e possui traços de personalidade dependente e destrutiva, exige muita atenção e faz om que seus companheiros fiquem exaustos com suas exigências (o tipo mais comum, não não?) Os seus modos exagerados e a sua ausência de cuidado e empatia tornam-no um perigo para si mesmo e para os outros. E por aí vai.

          Não deixa de ser um veículo de auto-conhecimento, que fala da natureza humana e dos nossos próprios distúrbios, sem cair no insípido, chato e comercial livro de auto ajuda. Pena que sobre o lobo mau ela não fala nada. Vai ver que dos desajustados, ele seja o mais normal. Só uma coisa eu não concordo de forma alguma, a autora diz que a única normal é a Alice no país das maravilhas. Eu sempre achei que a Alice reproduz perfeitamente várias figuras por aí. De longe são muito corretas, centradas e determinadas, de perto, você cai junto em um mundo caótico, psicótico, em que todos conspiram contra você. Ta, mas não fui eu quem escreveu o livro. Vale a pena dar uma conferida, até porque o final é inspirador, a gente sabe que quase todos serão felizes para sempre. E viva as diferenças…e os terapeutas também!

 

 

criado por Teresa Almeida    17:14:09 — Arquivado em: Sem categoria
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