***Inércia Decisória***

Seja quente ou seja frio, mas não seja morno que eu te vomito!

30/9/08

“Há algo de podre no reino da Dinamarca”

          Alguém conseguiu apagar da memória a dança da fofinha de amarelo comemorando a não-cassação do colega mensaleiro, no plenário da câmara, há uns dois anos atrás? Quem aguenta ouvir o termo impessoalidade novamente depois desse último mês em que os políticos fizeram de tudo pra manter os familiares no folha de pagamento do governo? E quem acredita que parou por aí põe o dedo aqui! Quão bonito é, ver esses nossos representantes lutando com unhas e dentes pela prática do nepotismo. Aí que dá mesmo pra ver que brasileiro não desiste nunca. E alguém aí sabe dizer o que tanto a nossa ministra Ellen Gracie tem de importante para fazer que não comparece aos julgamentos do supremo Tribunal Federal ? Dos dezesseis que aconteceram esse ano, ela faltou em sete. Isso que até abril ela era a presidente do Supremo. Que vergonha, mulher. Vá brincar de casinha se não consegue cumprir suas obrigações de gente grande.

 

          Vem se aproximando o dia das eleições. Em menos de uma semana finda-se mais um ciclo de auê político, em que o o povo tem o poder de dar o poder aos que cuidarão das suas respectivas cidades pelos próximos anos. Com exceção dos lugares em que continua-se com o segundo turno, já dá para ir se despedindo dessa época de boa vontade dos nossos políticos mais próximos. Novamente só daqui a quatro anos, visto que em 2010 os peixes são grandes e ninguém os verá em persona na porta de casa apertando suas mãos, nem visitando seu escritório para deixar um milhão de santinhos contando com a sua cooperação. As promessas ilusórias cederão lugar aos poucos que irão se empenhar em prol das suas comunidades.

          Esse mês ouvi um candidato a prefeito dizer que ia diminuir a taxa de IPTU em 10%. Essa semana ele estava perdendo feio nas pesquisas e tornou a repetir a mesma coisa, mas dessa vez diminuiria em 15%. Ou é um bipolar ou é um tremendo sem noção. Peraí espertinho, se vai mentir faz direito. Faz que nem o outro candidato que prometeu diminuir em 50%. Isso soa como desespero de causa. Engraçado, para prometer algo desse tipo teve de envolver um estudo da viabilidade, ao contrário mais um cara de pau a ser empregado, mas parece bem fácil diminuir essa taxa, já que estão prometendo assim aleatoriamente, porque ninguém ainda o fez?Ao contrário, só aumenta. Em São José dos Pinhais, no inicio deste ano a prefeitura aumentou em 100% o IPTU. Um candidato resolveu ser honesto, disse que nessa eleição não iria fazer como os outros e prometer o que não podia cumprir, deu o número e não falou mais nada. Com toda a honestidade, o senhor não fará nada então? Melhorias nas comunidades correm soltas para poderem ser mencionadas pelos que lutam pela reeleição. Na época de corrida eleitoral o povo fica desmemoriado e muito criativo. 

          Abster-se é compactuar com a desordem e aceitar os desmandos, mas a indignação e a preocupação é coisa de quem reclama e pouco faz. Mas fazer exatamente o que? Não tem como criticar os que acreditam que nada vai mudar,que estão desmotivados para votar nesse ou no outro candidato. Se os grandes, os que estão lá encima e julgam os menores não estão nem aí pro trabalho, mais envolvidos estão em fingir não compreender a tal impessoalidade tão citada na constituição, porque importar-se com os pequenos desta eleição. O cinismo político beira o ridículo, mas estamos caminhando ainda no estabelecimento da seriedade da nossa democracia. Hoje a discriminação de raça e sexo é condenada universalmente, mas há menos de um século não era nem perto disso. O que nos traz esperança de que a democracia deixe, efetivamente, de ser um mero “mal-entendido” no país. Por que é isso que ela (ainda) é no momento. 

          O que eu vejo de bom, de muito bom, é que conquistamos o direito de ter este nosso direito a opinião e temos audaciosos representantes espalhados por aí. Até porque com o valor que está a comida no mercado não há muito tempo de ficar indo as ruas se expressar. Nossa mídia não está mais tão parcial e superficial, a piada agora não é só com o artista e a bunda da revista, tem um olhar crítico encima dos governantes, dos que falam em nome do povo. Ainda que rindo deles estejamos rindo de nós mesmos. O nosso jeitinho de chegar a alguma comoção sempre tende a ser pelo humor, porque pelo drama da realidade o mais perto que chegamos foi eleger um presidente de esquerda e até pra isso levou-se tempo demais. Mas é um começo, já que a ética devia estar inserida e não está,que seja estabelecida para os que não a possuem pelo medo do escracho, e caso nada aconteça que ao menos gere vergonha pública. Espero que eu esteja certa, porque como disse o cidadão comum, no primeiro ato de Hamlet “Há algo de podre no reino da Dinamarca”. Um pouco mais livre, um pouco mais bem humorado, bem mais democrático,convenhamos, mais ainda assim sempre tem um cheirinho podre a incomodar as narinas.

criado por Teresa Almeida    18:41:59 — Arquivado em: Sem categoria

29/9/08

Senão aqui, onde? Senão agora, quando?

          Nós, o sexo frágil,conquistamos o direito de sermos respeitadas, mas na prática estranho é esse respeito umas com as outras. Inacreditável que tenha as que se apóiem nesse pretexto, o da guerra dos sexos (sem fim)  ignorando que há muito as mulheres lidam com maternidade, trabalho, vida pessoal, emocional, formação acadêmica e tudo mais que a vida moderna exige. E se existem as mulheres que gostam de paparicar o marido, o namorado ou quaisquer outros homens das suas vidas além do dito normal, que não criam coragem de defenderem-se das pancadas, problema delas, somos tão livres que podemos escolher sermos escravos. Quando leio baboseiras dessa espécie não deixo de ficar perplexa que sejam as mulheres que fiquem alimentando discussões machistas ou feministas. Tem as que ficam falando de atitude e conteúdo, mas brigam por homens, comentam a roupa da fulana, reparam na celulite e criticam a beleza ou a falta dela. Que não retirem o mérito do gênero masculino e muito menos o do feminino. E deixem esses homens que se dizem tão machões falando sozinhos. Quem muito fala, já sabemos que é porque pouco faz. Outras mulheres lutaram pelo direito da classe, em tempos realmente complicados e desiguais, mas hoje cada um faz o que quer, homem ou mulher, hipocrisia falar que não. A luta é diária, tem homem aí que é melhor que muita mãe e mulher que cuida das finanças e do sustento da casa melhor que muito pai. Tem mulher que age do mesmo modo atribuído aos homens e rapaz mais sentimental que uma mulherzinha chorona. Eu considero todos iguais, e quem pensa de outra forma não faço questão que esteja perto de mim, porque esse assunto já passou do ponto. E é óbvio que vão julgar mais o sexo feminino porque espera-se determinado comportamento. Quem é diferente, seja lá qual for o quesito em que tanto difere, tem que aguentar o tranco, senão não é tão diferente assim. Está apenas sendo tolo(a) de se pagar de algo cujo preço não é capaz de suportar. Existiram duas mulheres que impressionaram com suas atitudes. Falarei delas porque me vieram na cabeça agora para serem exemplos (e eu adoro exemplificar), apesar de vários outros que poderia dar. Uma eu admiro i-n-c-o-n-d-i-o-c-i-o-n-a-l-m-e-n-t-e e outra soube dar a volta por cima diante da morte, sem se acovardar.

          Em 1894, no laboratório da Sorbonne, famoso centro de estudos superiores em Paris, Marie Sklodowska, uma jovem estudante polonesa conheceu Pierre Curie cientista francês de rara inteligência e distinção. A pobreza e a nobreza de Marie comoveram Pierre, intensas afinidades os atraíram e ele a pediu em casamento, mas só foi aceito dez meses depois. Entre os deveres de família e a carreira, ela não teve dúvida, escolheu os dois. Sua vida foi complicadíssima. Residia em um modesto apartamento, cozinhava, cuidava da filha recém nascida, estudava e montou um laboratório em que tudo faltava. Pode-se dizer que vivia de sonhos, mas não parou diante do que falavam. Munida de coragem e da sua monografia sobre a magnetização do aço de têmpera (mais importante descoberta do século passado) deu continuidade a suas pesquisas. Descobriu dois novos elementos, “Polônio” e o “Radio”. O último faz muito pela felicidade humana, é a arma mais poderosa contra o câncer. Marie acreditou no que ninguém acreditava, tanto que conseguiu convencer o marido, que abandonou tudo que fazia e participou das experiências da esposa . Trabalhavam em um barracão, quente como uma estufa no verão e glacial no inverno. Ela passava os dias mexendo em barras do seu tamanho, que queimavam-lhe as mãos e picavam os olhos e a garganta. Quarenta e cinco meses depois, com uma força sobrehumana, a jovem cientista conseguiu preparar um decigrama de rádio puro e determinar-lhe o peso atômico. A Suíça ofereceu aos Curie uma situação digna do merecimento de ambos. A Inglaterra, lhes entregou a medalha Davy e na Suécia dividiram com Henri Becquerel o prêmio Nobel de física. Marie perdeu o marido, isolou-se solitária e tocou a vida do jeito que dava. Foi a primeira mulher a falar em Sorbonne, lívida de emoção, porém forte. Na guerra de 1914, Marie Curie consagrou suas energias a serviço da França. Fundou mais de 220 estações radiológicas, já que os hospitais não dispunham de material de raios X para localizar com precisão as balas e estilhaços de granada. Trabalhou no front e os números de feridos que examinou foi além de um milhão. Teve a oportunidade de conhecer e disse ter amado o Rio de Janeiro. A manipulação do “Radio” por 35 anos, sem tomar os cuidados que ela mesmo exigia dos seus discípulos e colaboradores, foi a causa da sua morte. O fim de uma mulher simples, significativa, de atitude, que não importou-se com o que os outros falavam, em uma época incontestavelmente difícil para a situação de seu sexo.

          Maria Antonieta foi notória em seu tempo pela leviandade e frivolidade. Em 1793, o seu marido, rei Luís XVI, teve a cabeça arrancada pela guilhotina e exposta para que o povo a contemplasse. A mesma multidão exigia a morte da rainha e gritava que era a austríaca que trazia a guerra. Amigos leais planejaram a sua fuga. Sair com os filhos e a cunhada da prisão era impossível, para fugir Maria Antonieta teria de ir sozinha. Como o povo não queria os outros, apenas a cabeça dela, ficaria a salvo até o filho assumir o trono e as coisas acalmarem. Mas a rainha negou-se, abdicou da liberdade e da vida por não conseguir abandonar os filhos, o dever de mãe triunfou no seu coração. Renunciou a salvação e marchou para a guilhotina por amor a eles. Pelo que se supõe e a história conta, talvez este tenha sido o seu único momento sublime e nobre. Ainda sim, mostrou decisão e forte atitude, dando sentido a uma vida pouco elevada.

          Sêneca, um dos maiores sábios de todos os tempos, disse uma frase que depois foi parafraseada por outros grandes pensadores: “A primeira coisa que devemos saber é que não sabemos coisa alguma”. Coisa alguma, claro, em comparação com tudo que há para saber. Por ter dito essa e outras verdades foi condenado a morte. Salvo alguns países em que a censura pega forte contra os direitos humanos e algumas cidades aqui mesmo no Brasil em que o coronelismo impera, vivemos um momento na história, que podemos falar e fazer quase tudo que quisermos partilhar com o mundo, sem temer o mesmo fim que teve Sêneca, na pior das hipóteses um processo judicial a se desenrolar por anos. Agora muito se fala de atitude, caráter e blá blá blá, inclusive esta aqui que vos escreve. A verdade derradeira é que não se tem muito o que falar, é o momento de fazer.

          Quer escrever?Monta um blog e mostra o verbo. Ah, você é muito mais “intelectual” que isso?Então escreve um livro, inscreva-se em um concurso, inicie a peregrinação pelas editoras. Quer ser músico? Parcele seu instrumento, tenha outros empregos para não morrer de fome, vá estudar para não ficar na garagem o resto da vida. Quer ser chamada de gostosa?Mostra o peitinho, põe uma minissaia e o umbigo a vista. Quer ser doutor? Estude muito e durma pouco. Ser boa mãe? Abdique de muita coisa, não vai ter jeito, maternidade rima com responsabilidade. Quer ser famoso seja qual for o jeito que dê para aparecer? Se inscreva no Big Brother ou dê, para aparecer. Não quer ser nada? Vagabundo está em alta também. Não tem dinheiro? A vida é difícil e com muitos problemas? Não conheço pessoalmente quem não tenha qualquer obstáculo deste tipo. E que que eu sei, não é? Mas falar não leva a lugar algum, rosto e corpinho bonito tem de monte. Gente cheia de “atitude” também. As chances estão aí, espalhadas. Nunca esteve tão em evidência aquela máxima de que, senão aqui, onde?Senão agora, quando?

criado por Teresa Almeida    12:16:56 — Arquivado em: Sem categoria

22/9/08

São só palavras, o real é meu e ninguém tasca!

 

          O prosaico exerce sobra a minha pessoa uma grande quantidade de fascínio. Eu me pego desde guriazinha observando coisas comuns, corriqueiras do dia a dia, que passam desapercebidas pelas outras pessoas. Gosto de pequenos gestos, pequenas doses de cotidiano, hábitos que possam ser trocados a qualquer instante, mas por algum motivo que só cabe ao indivíduo que o pratica, repetem-se como um vício. Certos diretores, principalmente os europeus, gostam de dar enfase a um cortar de batatas, um balançar em uma cadeira, um bater de pernas infantis, para depois mudarem completamente o foco mostrando o caos que determina o fim de um período "feliz" ou "normal". Talvez seja porque a rotina está para o caos, como Nietzche para a dinamite. E são nesses momentos, em que nos despimos de toda a máscara que porventura coloquemos para enfrentar o que vem pela frente, é que ocorre o mágico espaço de tempo em que o universo conspira a nosso favor.

          Todos sempre param, vez ou outra, para ficar imaginando como seria bom se tivessem isso ou aquilo, se a conta bancária estivesse mais recheada, se os problemas não existissem, se determinadas pessoas sumissem, permitindo que as lágrimas de ontem atrapalhem a luta pelas possiblidades que talvez só se concretizem justamente pela força de vontade que motivou o choramingo. Tem quem ache que desistir de dois é o fim do mundo, quando terrível somente seria desistir de cada um. Ontem na casa da minha mãe a paineira que existe desde que sou criança e provavelmente já estava lá quando minha mãe também era uma, ou antes até, começou a encher o pátio de pequenos flocos que mais pareciam algodão. Na hora voltei a ter cinco anos de idade, corri pela grama verde, olhei para o céu bem azul e lembrei de todos meus sonhos, das minhas histórias fantásticas, de quando eu subia na goiabeira, do limão pego na árvore para ser comido com sal, dos pés descalços e sujos meus e dos meus amigos comendo melancia embaixo da mesma paineira que me encheu de nostalgia. Fiquei lá até de noitinha e que bem aquilo me fez. 

          A felicidade adulta é imaginária, é o imaginar, o que vai vir, o que poderá ser concreto, o entrar e sair de vários caminhos para chegar a quaisquer outros que tragam sucesso. E por mais contentes que possamos vir a estar, sempre falta alguma coisa, nunca estamos completos. Sempre falta aquele quê, nos perdemos confiantes que vamos nos encontrar logo mais. E nunca haverá algo mais se já não estiver presente conosco. É tudo tão simples e conseguimos complicar. A parte que briga, que bebe, que acredita, medita, vacila, ignora, mata ou implora, é um todo, é só nosso, somos apenas nós em redundantes círculos viciosos. Não há uma técnica para aprender a lidar com a dor, não existe um Deus que ensinará o perdão, não existem palavras que descrevam o soneto do silêncio. É tão purista e vulgar que precisamos recorrer ao complexo e ao divino, para explicar nossas próprias escolhas.Quando se quer e acredita piamente no que quer, quando se é e sabe realmente como é, não há quem nos demova de chegar até o final, mesmo sendo a estrada longa e fatigante, porque não vale a pena a tristeza de ser meio frustrada. Que venha a felicidade nem que seja por meio da completa frustração, o que me importa é a tentativa. E não é nada demais. São só palavras.Se eu parar para pensar não deixa de ser arte da guerra.Sun Tzu. Ou os pensamentos brincalhões de uma molequinha esperta que se imaginava livre como os flocos da paineira.

 

 

*O cachorro Basset do meu padrasto amou os pierogis.

**Agora volto a me aventurar na cozinha mexicana, que só me faz mal devido a absurda quantidade de pimenta que coloco dentro dos burritos.

 

 

 

***Perdi todo o texto, se não for agora não vai mais…

criado por Teresa Almeida    15:47:44 — Arquivado em: Sem categoria

19/9/08

Minha Pequena Catarina

 

 

Extremamente frágil àquela pequena sonhadora.

De rompante petulante e tão avessa às regras,

controversamente defensora dos bons costumes.

Sua beleza é, justamente,

essa fraqueza protegida, escondida e tão evidente.

 

 

Ah, mas como é terrível essa minha menina.

Quanto mais se dá, mais ela quer,

mais anseia, mais ela exige.

 

 

Mas se penso em desistir,

encontro aqueles olhos pidões e percebo

que tanta defesa nada além é, que medo e desejo.

Medo de ser abandonada novamente.

Desejo de ser única, desejada para sempre.

 

 

Tão intratável é esta pequena,

bem desejo vê-la sem dentes.

Para ver se aprende a não cuspir desaforos

e a não perturbar minha mente.

 

 

E quando vejo quão bondosa ela é,

quanto bem pode fazer se quiser,

meu peito se enche de amor e me controlo

para não tomá-la nos braços e

tentar aplacar sua dor.

 

 

Acabo lembrando que de toda esta guerra

e também das minhas batalhas,

a nossa é a que não interessa ganhar.

 

 

 

Esqueço do quanto ainda és criança,

do quanto difícil é, apagar da lembrança

o preço alto a pagar por viver.

 

 

Ah pequenina,

o que fazes com este teu amor.

Tanto sofrimento por um sentimento

que nunca se repetirá,

pelo respeito que não há de se restaurar.

 

 

Siga, vá lá, continue tentando,

esperando pela capacidade de se encontrar.

Em meio a esse caos,

achar o velho dom de se reinventar.

Continuando assim, enquanto o desejo for o de sempre,

o de abraçar.

 

 

Minha hostil menina, tão forte longe de mim,

tão frágil dentro de si.

 

 

criado por Teresa Almeida    16:34:38 — Arquivado em: Sem categoria

(in)Definição

 

 

 

O amor é mulher classuda, ponderada e mística.

Observa aqui e ali, se faz de desentendida,

priva-se quando precisa, não esquiva-se quando arrependida.

 

 

Paixão é menina nova, intrometida e desinibida.

Seus olhos pulsam intensamente,

não poupa-se quando precisa, é arrogante quando arrependida.

 

 

Amor com limite é erro.

Paixão com culpa é loucura.

Não encontrar nos olhos de outro o significado

que no deste amor encontraste.

Não encontrar no corpo de outro

a intensidade que nesta paixão abraçaste.

 

 

O amor espera o amanhã.

Paixão não espera o amanhecer.

Amar sem eira nem beira.

Paixão que existe por teimosia, de bobeira.

 

 

O amor é tão sofredor.

A paixão é deveras vingativa.

O amor suporta o passado.

A paixão só quer saber do presente.

O amor é inteiro louvável

e a paixão um delicioso pecado.

 

 

São duas pessoas distintas,

quando se tem uma deseja-se a outra;

e quando possui as duas, a uma logo magoa.

Mas em uma coisa as duas concordam:

Nem uma nem outra são boas ouvintes,

ambas morrem por uma noite

e renascem na manhã seguinte.

 

 

 

 

criado por Teresa Almeida    14:24:41 — Arquivado em: Sem categoria

18/9/08

A procura do Pierogi perfeito

          Quando eu trabalhava em Moema, lá em sampa, saía muito tarde e a Renata uma amiga minha sempre dizia que passaria lá para levar Pierogi para nós duas comermos. Acabei promovida e fui parar na Paulista e a gente continuava se prometendo comer essa espécie de pastel polonês que a família dela tanto gostava. Depois o meu ex chefe falou que ia me levar em um restaurante ucraniano pra gente experimentar o tal prato, em nome do trabalho claro, para quem sabe introduzir algo parecido na nossa empresa. No final, acabei não comendo. Vendo os adolescentes do Gossip Girl comer com tanta vontade eu pensei em procurar na Internet a receita pra fazer em casa antes que as lombrigas entrassem em guerra na minha sempre insatisfeita barriguinha. Daí essa semana meu padrasto comentou que queria muito comer esse tal de Pierogi que a avó dele fazia. Pronto. Fomos os dois nos aventurar pela cozinha. Fizemos até uma ligação para Canoinhas, no planalto norte de Santa Catarina  para confirmar a receita que encontramos no jornal. Amassa daqui, amassa dali, ovo pra cá e coalhada pra lá, recheia, fecha, cozinha, congela, frita e lá pelas onze da noite fomos comer. Eu já estava morta de cansaço, acordada desde as seis da manhã, mal tinha comido durante o dia, estava depressiva com o estado da cozinha que me esperava e meio descrente do pastelzinho desmilinguido na minha frente. A fome e o cansaço ajudaram a empurrar a iguaria goela abaixo. Ficamos com aquela cara de quem não quer assumir que perdeu tempo e a chance de ter tido um belo jantar. Ninguém quis dar o braço a torcer e fazer um miojo. Claro que bem lá no fundo a gente sabia que ia sair uma caca, só não sabia que iam sobrar dezenas dela para contar história. Como jogar comida fora eu me nego, obriguei-me a levar um prato enorme para o trabalho, vários estão em casa e sei que vou ter pesadelos com isso a noite. Pensei em fazer uma promoção, sair doando pela rua, enviar por sedex pra Renata, mas bravamente estamos, eu e os pierogis, vendo quem mata quem primeiro.

          Antes da saga do Pierogi começar, minha mãe veio correndo me contar a notícia que ela tinha visto no jornal. Lá em Passo Fundo,Rio Grande do Sul tchê, um ladrão roubou um carro, voltou, devolveu pro mesmo lugar e ligou para polícia. A gravação do que ele disse era mais ou menos isso:

          “Olha, vou ser bem sincero, eu sou ladrão, roubei um carro, dei umas voltas e percebi que um menininho estava dormindo no banco de trás. Eu não tinha visto mesmo, vi só agora. Devolvi o carro na frente do bar e estou ligando pra vocês irem até lá e mandar o filho da puta do pai dele levá-lo pra casa. É um piázinho…”.

          Sensacional!O pai e a mãe estavam lá e o menino de cinco anos do lado de fora, no carro. Agora eles vão enfrentar um processo por colocar um incapaz em perigo. Semana passada eu tinha escrito um texto sobre um outro caso que aconteceu em São Paulo, mas achei melhor não publicá-lo. Era mais ou menos sobre isso. Uma mãe deixou o filho de três anos com o irmão de onze e foi trabalhar a noite. Quando o mais velho achou que o menor tinha dormido desceu até a portaria para avisá-la. Nesse meio tempo o menino caiu do sexto andar (novamente, o andar maldito!). Entre a cama e a janela do quarto havia um espaço de apenas 70 centímetros. A janela foi deixada aberta, não havia tela de proteção, uma criança, praticamente um bebê ao lado, e claro, mais uma tragédia lamentável que podia ter sido evitada. Ela também vai responder a processo por submeter incapaz ao perigo. É uma pena, precisava trabalhar, mas com criança não se brinca. Foram neuróticos demais comigo, eu sou neurótica demais com esse assunto e os que estiveram do meu lado, sejam quais defeitos tivessem, sempre se preocuparam com esse quesito sobre a segurança. Criança cai, se joga, bate a cabeça, pula, brinca com espelho, põe dedo na tomada, coloca qualquer porcaria na boca, e não tem jeito, tem que deixar pra conhecer seus limites e tem que ficar de olho para não acontecer nenhuma tragédia. Eu sei disso por experiência própria e sei também que sair abrindo a boca sem ter sido mãe ou um pai, sem saber do que está falando só uma outra criança pode fazer, faça-me o favor, só quem é sabe, mas uma coisa é clara e todos com bom senso que compartilhem da premissa que cuidado nunca é demais. Casos horríveis estão aí pela mídia para servir de lição e eu nunca vi tanta criança voando pela janela como ultimamente vem acontecendo, sejam jogadas por seus progenitores ou atirando-se céu abaixo. Janela. Criança. Perigo á vista. Essa história de carro também não é a primeira vez que ocorre. E as demais desgraças que por aí vão. Dá um aperto no coração, pelo menos no meu dá. Que sirva de lição, que evite outros casos. Deslizes infelizmente acontecem, todo mundo está aí pra aprender, ninguém é perfeito e ser responsável por uma vida é fogo, mas o negócio é vestir a camisa o quanto antes. Pôs no mundo, vê se cuida e não faz mais que a obrigação, porque o anjinho da guarda que salva o bebê pela fralda também tira uma folga.

E eu continuo duelando com meus pierogis.

IRC.

criado por Teresa Almeida    15:30:14 — Arquivado em: Sem categoria

Crede Byron

 

Meu poeta, me leve contigo;

sua luz é que me traz abrigo.

Sua fome estabelece o sentido,

entre o que vive e o que passa pela vida.

 

 

Eu pereço pela falta de palavras,

é díficil encontrar significado

nessa reunião chata, cheia de pessoas desesperadas

que anseiam por algo que nem sabem se lhes é devido.

 

 

Me leve a Missolonghi.

Onde estou ninguém sabe o que é,

encontro certa gratidão,

ao vislumbrar sua estadia por lá.

 

 

Essa ilusão de sempre estar em um frenesi constante,

nunca me afeta, não me interessa.

Pessoas vazias tentando não ver suas sombras,

esperando compartilhar com outro efusivo

a beleza que não carregam consigo.

 

 

Careço de algo mais que estórias,

me perco em um além mais de saudade,

aquela que já foi dita por ti.

De algo que eu ainda não vi.

Do que não entendo sentir.

 

 

Escuto alguns passos nostálgicos.

Quando adormeço, às vezes,  vejo.

O anjo negro de peito aberto

que sangra pelo amor que procurou,

mas não encontrou.

Nem em um pouso,

nem mesmo em sossego.

 

criado por Teresa Almeida    13:45:28 — Arquivado em: Sem categoria

16/9/08

A beleza do bizarro

         

 

          Ás vezes olho para as obras desses artistas tão complexos, cheios de idéias inspiradoras, quadros que deveriam dizer muita coisa, objetos excêntricos e cheios de significado, mas não vejo nada. Também não sou uma conhecedora profunda de arte e não tenho paciência nenhuma pra ficar meia hora parada na frente de algo que em 15 segundos já descobri não vai me dizer dizer coisa alguma. Acho super supimpa quem consegue se encher de entusiasmo ao ver um fusca pendurado no teto de uma exposição por exemplo, eu não tenho vontade nem de chegar perto, vai que na zica o trambolho cai bem encima de mim. Um monte de gente em uma exposição.Um ponto no meio de uma folha em branco. Uns vêem o começo do mundo. Uma guerra nuclear. Um átomo. Eu com certeza verei no máximo um piolho. Uma privada diferente inventada no começo do século.A não ser que o povo esteja mutcho louco não tem como ver nada mais criativo do que uma privada diferente inventada no começo do século. Bom, mas não vou me aprofundar.

 

 

 

          Tem um artista, o Mark Ryden, que eu admiro muito. Suas obras podem me fazer perder muito mais que meia hora para encontrar todos os significados pretendidos e os outros muitos que eu possa vir a formular. Ele é um dos mais respeitados artistas plásticos do meio underground. Desenhou capas de discos para bandas como Stones e Red Hot Chilli Peppers.Virou o queridinho da mídia, dos artistas do mainstream hollywoodiano e artistas em geral, mas suas obras estão longe de serem “queridinhas”. Assim como o criador, elas são uma contradição, um protesto ao senso comum, denunciam sem voz e ainda sim gritando esse caricato mundo moderno. Une inocência, cinismo e polêmica.Mistura crianças, carne, sangue, catolicismo, budismo, livros, televisão, brinquedos, antiguidades e contos de fadas, conseguindo um resultado que beira não só ao bizarro, cruelmente beira a realidade também.

 

 

          Suas obras chocam sem cair na mesmice de quem faz as coisas prevendo a reação e sim de quem cria sabendo o que faz, buscando sofisticação.Possuem uma dualidade berrante ao mesmo tempo em que auto explicam-se nas mensagens subliminares que possuem. É um mundo, em todos os seus aspectos violentos, apresentado com olhos irônicos e que ainda assim não permitem que a beleza se perca. Ele nos joga a verdade na face mesmo que sejamos conscientes do que nos cerca. Isso não deveria, mas causa perplexidade. É o óbvio que não cai no óbvio. Eu sou uma dos muitos apaixonados pelo seu trabalho, pelo ar singelo e tosco que ele consegue empregar com sua tinta. Mark Ryden está na ativa, trabalhando em seu estúdio, compondo suas obras exóticas e bizarras, sendo imitado por outros que não conseguem chegar nem perto desse senhor de 44 anos que retrata o mundo do modo que muitos “vêem” e por opção não enxergam.

 

 

criado por Teresa Almeida    17:14:14 — Arquivado em: Sem categoria

15/9/08

A igreja é minha Anta

         

 

          As estórias que eu mais gosto são as que envolvem o santo nome em vão.E das formas com que retratam Deus, a de torturador é a que eu acho mais interessante. Ele pôs um espécie humano masculino com suas “ferramentas” a mostra e outro feminino igualmente nu e acreditou mesmo que, não, eles não iam fazer nenhuma  “arte”,ficando depois ensandecido a ponto de tirá-los do paraíso e castigá-los por terem desobedecido sua ordem.Eu sendo Deus teria ficado ensandecida  de ser necessário uma serpente para incitá-los a qualquer coisa.Tenho certeza que não descendi de Eva não, descendi dos bons, velhos e animalescos macacos pois teria ficado curiosa em fazer um monte de coisa e a humanidade ia estar pagando por bem mais pecados que essa escorregada na maçã. Se bem que ninguém me tira a idéia que a fruta tinha mais haver com uma banana. As primeiras versões da bíblia não continham esse capítulo. Foi um homem muito criativo e assombrosamente inspirado, o Santo Agostinho, que reescreveu Gênesis vários séculos depois, inserindo o adendo do “pecado original”. Imaginem só se ele fosse o roteirista do Big Brother, Boninho já estava na rua faz tempo.

          A nossa “atual Bíblia” foi composta no século XIII. Ela é um apanhado de textos do que havia sido transmitido pelos antigos profetas, sacerdote, reis, patriarcas e demais pessoas iluminadas da época. Os velhos profetas (com exceção do Moisés que transmitiu ele mesmo) retransmitiam da forma mais nítida que pudessem, os fatos e as visões acontecidos em outra época a outras pessoas (ufa), pois não sabiam escrever. Quem escrevia, introduzia suas próprias opiniões, o que terminava em completa contradição com o original e com o tempo ia sendo deixado de lado algum trecho que não favorecia a fé da forma desejada.
Havia três versões diferentes escritas a mão e quando se inventou a arte da impressão ficou muito dispendisioso manter toda essa divulgação. Se alguém foi o pai da publicidade, o inventor de algo a ser comprado, o primeiro “lifestyle” foi o imperador Constantino que decidiu como iriam reescrevê-la e como seria a base de toda a cristandade. Legal não é? Vários escritos de povos que se julgavam os únicos seres humanos na Terra, que desconheciam outros mais adiantados e que conseguiram ter o que escreveram seguidos incontestavelmente por alguns até hoje. É o meu sonho. Hoje temos um Deus que extermina até os animais em um dilúvio porcausa de uma humanidade pecaminosa e indigna. Ah, gosto muito dessa parte do dilúvio.

          Um dilúvio de fato inundou vários países, um fato histórico, dizem, um fato climático que na mão de um fanático virou um assassínio não dos homens, de TODOS os seres viventes de qualquer espécie de animais, com exceção dos animais escolhidos por Noé.Oremos todos para o criador não volte a se irritar agora, já que a humanidade ta pra lá de perdidinha e se isso acontecer ele deveria escolher o Al gore para comandar a barca, já que  que vem avisando todo mundo do dilúvio e ninguém vem acreditando. Deus disse a Noé e a seus filhos: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra”. Bom sendo ele o todo poderoso, com tanto conselho bom pra dar pra uma humanidade que começaria melhor da que foi por água abaixo, tinha como dar o conselho mais óbvio que esse? O que mais fariam casais presos em um barco sem televisão, orkut ou playstation? Se eu estivesse lá e fosse permitido teria levado um baralhinho de poker, nesse caso adeus multiplicação, mas acho que o Pai não ia gostar do novo mundo começar na jogatina.

          Existe um conto que fala de um homem desempregado procurando o que comer na rua, encontrou uma faísca de verdade, juntou com cuidado e disse: Vou ficar rico, fundarei uma igreja! Outra moral de uma historinha diz que com verdade no coração qualquer indivíduo pode dirigir seu próprio destino sem temer obstáculos. Bom que sorte que pouca gente tem verdade no coração e a maioria tem faíscas de verdade nas mãos ou a maior parte das instituições entrariam em colapso.

 

criado por Teresa Almeida    17:30:10 — Arquivado em: Sem categoria

Prezado Sr. Schopenhauer :

Esse ano tem sido muito singular, muito diferente do que eu vivi até agora. É um ano que eu estou retomando antigos sonhos e colocando em ação planos que ficavam apenas na minha cabeça. Vivendo dias que nunca terminam, cheios de tarefas, informações, noites sem dormir e dias em que desarmo na cama de tanto sono. Nenhuma responsabilidade está sendo deixada de lado devido a isso tudo que vem acontecendo. Tudo está sendo organizado, colocado no lugar que sempre deveriam ter estado, mas pelas complicações do destino se espalharam. Digo do destino, porque se ocorreram certos deslizes, exageros ou desvios, foram minha culpa eu quis assim, mas eram pra ter acontecido, havia necessidade. Sou muito prática, arrepender-se é à saída dos covardes. Quando tudo dá errado só resta arrependimento e desculpas não é mesmo? Não, isso pra mim não dá. Sou tão maior que isso e não preciso que ninguém me avise. Andou acontecendo muita coisa e tudo que falaram que daria errado, vejam só, deu. Tudo que me disseram que aconteceria, olha só, aconteceu. E eu levei, levei tudo, como experiência, da minha bagagem não abro mão de jeito algum. Foram minhas escolhas, meu direito, minha sina. E eu respirei fundo, com todo ar que conseguiria puxar, com toda a verdade que conseguia guardar e fui dar continuidade a tudo que meus ombros não suportariam deixar pelo caminho. Eu quis ser como os outros, fingir me adequar a qualquer situação, que qualquer coisa pra mim estava bom, mas nunca estava. Sou a pessoa que vai embora sem dizer tchau e retorna sem dizer oi. Por que  saio para a rua e sei que as pessoas estão ali, mas esqueço que elas não sabem que eu estou sempre aqui para elas. Mas tudo foi gasto e pago de alguma forma e saímos todos ilesos. Eu penso tanto, faço mil coisas ao mesmo tempo, eu estou lendo, trabalhando, estudando, viajando, cuidando da casa, cuidando da vida, cuidando de mim, cuidando dos meus, me achando no meio da confusão que sou e às vezes não percebo que o mundo é diferente, que as pessoas possuem ritmos diferentes. Que o que passa na minha cabeça é o meu mundo. Olho para as  pessoas achando estranho esse modo bonitinho de se portar direitinho. Só que elas também me olham e tenho a impressão que incomodo.  E não posso fazer nada, porque eu sou desse meu tipo e tem muitos tipos por aí. Tem os sempre corretos e os cuidadosamente malvados. Basicamente, tem os bons e tem os ruins, porque realmente tem muito tipo espalhado pra ficar falando. E têm os autênticos, os melhores. E tem lugar para todos, ora bolas. E no meio da multidão estou eu, sozinha mesmo com a multidão. Meu coração anda espalhado em milhares de lugares, mas o que me conforta é que nesse ano sensacional em vários lugares tem corações batendo por mim. Que querem que eu saiba que eles estão lá. Mesmo que desse meu jeito estranha  nunca tenha demonstrado que estava lá também. E eu acho que aquela velha sorte que tinha me abandonado retornou, porque tudo está se encaixando, as coisas estão acontecendo e não é que não esteja feliz, estou é muito espantada. O fogo que está ardendo é muito maior que este cabelo que desbotado ficou vermelho novamente. As mãos que hoje eu seguro não são apenas as mãos de quem me pôs no mundo, são mãos amigas e de quem me admira tanto e eu nem sei direito o porquê. Os pés que caminham comigo ainda que tão longe estejam, deixam muito mais que pegadas atrás de mim. Eu não sou boa em agradecer, não gosto na verdade de agradecimentos. Soam falsos, soam interesseiros. Um agradecimento só vem depois de algo bom que foi feito.Mas eu que sou uma velha reclamona de 24 anos, deveria agradecer por certas pessoas existirem. Ando fazendo tudo do mesmo jeito que sempre fiz, mas sem a vergonha de admitir que paciência, eu sou assim, tem que ser do meu jeito ou não consigo. Eu quis ser diferente, mas diferente não dá pra mim. E hoje meu grande amigo, apelidado de Sr. Schopenhauer, que não diz que ama ninguém, que eu nunca esperei que fosse dizer nada parecido, a pessoa mais autêntica que tive o presente de conhecer nesta vida terrena, hoje ele abriu seu coração pra mim. E esta menina agreste, de tão lamentável gênio, se emocionou. Porque amor virou algo tão comum, ditos por amiguinhos de baladas, por pessoas que somem quando se necessita, sentimento que se conquista tão fácil quanto se perde. Mas para alguns ainda é algo grande, algo honrado, só dito para pessoas especiais, e eu me senti uma pessoa verdadeiramente especial. E eu nem soube o que responder além da sinceridade que também o amo e que essa nossa amizade me faz mais forte, mais decidida e por isso eu não admito que ele desista, porque não me deixou desistir nunca dos meus sonhos e ando colhendo os frutos de tudo que andei semeando. Francis, Sr. Schopenhauer, te amo hein? E não esqueça que eu farei o roteiro de seus filmes. Então bora prosseguir, que a música nunca pára de tocar. E se você tropeçar eu vou estar lá para te chutar!

Beijo,Tchau!

criado por Teresa Almeida    15:40:03 — Arquivado em: Sem categoria
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